DRE

Como calcular a margem real do delivery (com todas as taxas e comissões)

Seu restaurante fatura R$30k/mês no iFood — mas depois de taxa, embalagem, motoboy e imposto, quanto sobra? A maioria não faz esse cálculo e se surpreende.

·10 min de leitura·Tamy Food

Márcia fatura R$ 30.000 por mês só no iFood. Abre o aplicativo toda manhã, vê os pedidos chegando e pensa: "Tá ótimo. O delivery tá bombando."

Mas quando a Tamy fez o cálculo real — decompondo taxa, embalagem, imposto e CMV — o número que apareceu foi diferente do que ela esperava.

De R$ 30.000 de faturamento no iFood, sobrava R$ 9.480 antes de pagar um único ingrediente, um único funcionário ou um centavo de aluguel.

O delivery "bombando" estava gerando menos da metade do que parecia.

A matemática que a maioria não faz

O iFood não esconde as taxas. Elas estão no contrato. O problema é que o dono vê o faturamento bruto — os R$ 30.000 — e não visualiza quanto sai antes do dinheiro chegar na conta dele.

Vamos fazer essa decomposição do jeito que o dono precisa ver:

Cenário: marmitaria que fatura R$ 30.000/mês no iFood (Plano Entrega)

ItemValor% do faturamento
Faturamento bruto (iFood)R$ 30.000100%
(-) Comissão iFood (27% — Plano Entrega)-R$ 8.10027%
(-) Taxa de pagamento online (3,2%)-R$ 9603,2%
(-) Embalagem (R$ 2,50 × 480 pedidos)-R$ 1.2004%
(-) Imposto (Simples Nacional ~6%)-R$ 1.8006%
= O que sobra para cobrir CMV, folha, aluguel e lucroR$ 17.94059,8%
(-) CMV dos ingredientes (35%)-R$ 10.50035%
= Margem para cobrir custos fixos e lucroR$ 7.44024,8%

Dos R$ 30.000 de faturamento, depois de comissão, embalagem, imposto e ingredientes, sobram R$ 7.440 para cobrir mão de obra, aluguel, energia, gás — e ainda gerar lucro.

Se a folha de funcionários alocada ao delivery é R$ 5.000 e os custos fixos proporcionais chegam a R$ 4.000, esse canal está no prejuízo de R$ 1.560/mês — sem que Márcia soubesse.

Os planos do iFood — taxas reais em 2025

O iFood tem 3 planos principais, com estruturas de custo bem diferentes:

PlanoComissãoEntregaQuem paga o motoboyCusto total aproximado
Básico12%Restaurante paga motoboy próprio ou parceiroRestaurante12% + custo do motoboy (R$ 8–15/entrega)
Entregue23%iFood providencia entregadoriFood23% + 3,2% taxa pagamento = ~26,2%
Entrega Fácil27%iFood providencia entregador (maior cobertura)iFood27% + 3,2% = ~30,2%

Fonte: tabela de comissões iFood vigente em 2025. Valores podem variar por região e volume de pedidos.

No Plano Básico, a taxa de comissão é menor (12%), mas o restaurante arca com o custo do motoboy. Em São Paulo, um motoboy de aplicativo cobra R$ 8–15 por entrega dependendo da distância. Para 480 pedidos/mês, isso é R$ 3.840–7.200 só em frete — o que pode ser mais caro do que a diferença de comissão entre o Básico e o Entregue.

A única forma de saber qual plano compensa para o seu volume e perfil de pedidos é fazer a conta com os seus números reais.

A fórmula de margem real do delivery — pedido por pedido

Para entender o delivery de verdade, não olhe só o mês inteiro. Calcule por pedido:

Margem real por pedido =
  Preço de venda
  - Comissão iFood (% × preço)
  - Taxa de pagamento (3,2% × preço)
  - Embalagem
  - Custo do ingrediente (CMV do prato)
  - Imposto proporcional (% × preço)
  ÷ Preço de venda × 100 = Margem %

Exemplo: marmita fitness a R$ 28 no iFood (Plano Entregue)

ComponenteValor
Preço de vendaR$ 28,00
(-) Comissão iFood 23%-R$ 6,44
(-) Taxa de pagamento 3,2%-R$ 0,90
(-) Embalagem-R$ 2,50
(-) CMV do prato (ingredientes)-R$ 10,00
(-) Imposto 6%-R$ 1,68
= Margem por pedidoR$ 6,48
Margem %23,1%

R$ 6,48 de margem por marmita de R$ 28 no delivery. Desse R$ 6,48 ainda precisa sair a proporção de mão de obra, aluguel e energia por pedido.

Se os custos fixos proporcionais por pedido chegam a R$ 5,50, a margem líquida real é de R$ 0,98 por marmita — 3,5%.

Para a análise completa de qual marmita dá mais lucro no delivery versus no balcão, veja: Margem da marmitaria: qual marmita dá lucro de verdade.

Quando o delivery compensa: o volume mínimo

Delivery não é sempre ruim. É um canal que tem estrutura de custo diferente — e que compensa quando o volume é suficiente para diluir os custos fixos e quando os pratos vendidos têm margem adequada para o canal.

A conta básica de volume mínimo:

Volume mínimo de pedidos =
  Custos fixos mensais alocados ao delivery
  ÷ Margem por pedido (em R$)

Exemplo: se os custos fixos alocados ao delivery (mão de obra proporcional, aluguel do espaço de preparo, energia) somam R$ 6.000/mês e a margem média por pedido é R$ 6,48:

Volume mínimo = R$ 6.000 ÷ R$ 6,48 = 926 pedidos/mês

Abaixo de 926 pedidos, o delivery não cobre os custos. Acima disso, começa a gerar lucro. Se o restaurante faz 480 pedidos/mês no iFood com essas margens, o canal está no prejuízo — e o dono não sabe porque soma tudo com o salão.

Como negociar com o iFood (dicas concretas)

O iFood negocia. A maioria dos donos não sabe disso porque nunca pediu. Algumas alavancas reais:

1. Volume comprometido: se você se comprometer com um volume mínimo de pedidos por mês, o iFood pode oferecer desconto de 1 a 3 pontos percentuais na comissão. Funciona principalmente para restaurantes com mais de 300 pedidos/mês.

2. Exclusividade temporária: durante promoções sazonais (Dia dos Pais, Dia das Mães, Natal), o iFood oferece visibilidade maior em troca de exclusividade temporária ou participação em campanhas. Pode valer a pena negociar a participação em troca de melhor posicionamento no app.

3. Posicionamento pago: ao invés de aceitar a comissão maior pelo "Entrega Fácil", avalie o custo do posicionamento pago (impulsionamento) em um plano de comissão menor. Em alguns casos, o custo do anúncio é menor que a diferença de comissão.

4. Plano Básico + motoboy parceiro: para restaurantes com volume acima de 600 pedidos/mês em área de alta demanda, o Plano Básico com motoboy de aplicativo (iFood Parceiro) pode ser mais barato que o Entregue. Calcule com os valores reais da sua região.

Delivery próprio: quando migrar

Delivery próprio — com motoboy contratado ou terceirizado via frete — faz sentido quando:

  • Volume acima de 200 pedidos/mês em raio de até 5km
  • Ticket médio acima de R$ 40 (justifica o custo do frete)
  • Clientela que prefere canal direto (WhatsApp, telefone)

O custo de 1 motoboy CLT em São Paulo é de R$ 2.800 a R$ 3.500/mês (salário + encargos). Para esse custo valer, precisa fazer pelo menos 200 entregas/mês — o que dá R$ 14–17,50 por entrega versus R$ 8–15 de aplicativo.

Para comparar de forma justa: no iFood Plano Entregue (26,2% de custo total), em um pedido de R$ 40, o custo é R$ 10,48. No delivery próprio com motoboy CLT fazendo 200 entregas/mês, o custo por entrega é R$ 16 — mas sem a comissão de 27% sendo descontada. Em pedidos acima de R$ 60, o delivery próprio começa a compensar.

Delivery e DRE: como separar na prática

No DRE do restaurante, o delivery precisa aparecer como canal separado — não misturado com o salão. A estrutura é:

LinhaSalãoiFoodDelivery próprioTotal
FaturamentoR$ 50.000R$ 30.000R$ 10.000R$ 90.000
(-) Comissão plataforma-R$ 9.600-R$ 9.600
(-) Embalagem-R$ 500-R$ 1.500-R$ 500-R$ 2.500
(-) CMV (35%)-R$ 17.500-R$ 10.500-R$ 3.500-R$ 31.500
= Margem bruta por canalR$ 32.000R$ 8.400R$ 6.000R$ 46.400
Margem bruta %64%28%60%51,6%

Com essa visão, fica claro: o salão tem margem bruta de 64%, o iFood tem 28%, o delivery próprio tem 60%. As decisões de onde investir em crescimento ficam óbvias.

Para entender o DRE completo do restaurante, veja: Como montar o DRE do restaurante — guia com exemplo prático. Para a análise específica de iFood: iFood: lucro ou prejuízo? Como calcular a margem real do delivery.

Como a Tamy calcula a margem do delivery automaticamente

A Tamy conecta diretamente com os dados de venda do iFood e do Rappi — e já desconta comissão, taxa de pagamento e embalagem no cálculo da margem. O dono não precisa fazer a conta no papel.

Todo dia, a Tamy mostra a margem por canal. Quando o iFood cresce em faturamento mas a margem do canal cai, a Tamy avisa: "O iFood representa 33% do faturamento mas só 18% da margem bruta — considere revisar o preço nos sabores mais pedidos ou negociar o plano."

Não é relatório. É ação.

"Eu achava que o iFood era meu melhor canal porque era o maior em faturamento. Quando a Tamy separou a margem, descobri que o delivery próprio pelo WhatsApp tinha margem 2,5x maior. Reduzi promoção no iFood e aumentei o foco no WhatsApp. Em 60 dias, o lucro líquido subiu R$ 3.200 sem mudar o faturamento." — Márcia O., Marmitaria, São Paulo

Perguntas frequentes

Como saber se o iFood está dando lucro ou prejuízo?

Calcule a margem real por pedido: preço de venda menos comissão iFood, menos taxa de pagamento, menos embalagem, menos CMV dos ingredientes, menos imposto proporcional. Se o resultado for menor que o custo fixo alocado por pedido, o canal está no prejuízo.

Qual plano do iFood é mais barato?

Depende do seu volume de pedidos e da sua operação de entrega. O Plano Básico tem menor comissão (12%) mas você paga o motoboy. O Plano Entregue (23%) inclui entregador do iFood. Para volumes abaixo de 300 pedidos/mês, o Plano Entregue geralmente é mais previsível. Acima de 300, vale calcular com os custos reais de motoboy da sua região.

Devo cobrar preço diferente no delivery?

Sim — especialmente se o custo do canal (comissão + embalagem) é significativo. Cobrar R$ 2 a R$ 5 a mais no delivery do que no salão é prática comum e aceita pelos clientes. O argumento é simples: o preço do salão inclui o ambiente e o atendimento; o preço do delivery inclui a logística.

Delivery via WhatsApp tem taxa?

Não tem comissão de plataforma, mas tem custo de motoboy (próprio ou de aplicativo) e embalagem. A vantagem é a margem maior — sem os 23%–27% de comissão do iFood. A desvantagem é que exige mais organização operacional (receber pedido, confirmar pagamento, despachar) e não tem o algoritmo de descoberta do iFood.


Fontes: iFood (dados de comissão vigentes em 2025), ABRASEL — Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (abrasel.com.br), SEBRAE (sebrae.com.br), IFB — Instituto Food Service Brasil (foodservicebrasil.com.br).

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