Marmitaria

Delivery próprio vs. iFood: qual compensa mais para marmitaria em 2026?

iFood cobra 12% a 27% de comissão. Delivery próprio custa motoboy. Faça o cálculo completo antes de decidir — a resposta depende do seu volume.

·8 min de leitura·Tamy Food

Márcia vende 320 marmitas por dia. No iFood, cada uma sai por R$ 22. Com a comissão do plano básico em 27%, ela repassa R$ 5,94 por marmita ao iFood. Em 30 dias: R$ 57.024 de comissão só para o iFood. Isso sem contar a embalagem personalizada que o plano exige, nem as taxas de cancelamento.

Esse número assusta. Mas o delivery próprio tem custos que também somam — motoboy, app, logística, reclamações de atraso. Antes de sair do iFood ou de montar sua própria operação de entrega, faça o cálculo completo. A resposta certa depende do volume, da margem por marmita e do raio de entrega.

O custo real do iFood para marmitaria: planos, comissões e taxas escondidas

O iFood tem dois modelos principais para marmitarias e dark kitchens:

Plano Básico (entrega feita por você)

  • Comissão: 12% sobre o valor do pedido
  • Você paga e organiza a entrega
  • Precisa de CNPJ ativo

Entregue pelo iFood (iFood entrega)

  • Comissão: 27% sobre o valor do pedido (pode variar por região e negociação)
  • O iFood recruta o entregador
  • Taxa de entrega paga pelo cliente (mas pode comprometer conversão)

Mas a comissão não é o único custo. Veja o que mais entra na conta:

CustoPlano BásicoEntregue pelo iFood
Comissão12%27%
Embalagem personalizadaobrigatória em campanhasobrigatória
Taxa de cancelamentosim (por cancelamento do restaurante)sim
Multa por tempo de preparosim (baixa nota → menos visibilidade)sim
Desconto em campanhasopcional, mas penaliza quem recusaopcional
MensalidadeR$ 0 (descontado na comissão)R$ 0

Custo total por marmita de R$ 22 no Entregue pelo iFood:

  • Comissão (27%): R$ 5,94
  • Embalagem exigida pelo padrão: R$ 1,20
  • Desconto médio em promoções (10% com frequência): R$ 2,20
  • Total saindo do seu bolso: R$ 9,34 por marmita vendida — 42% do preço

Antes de decidir qualquer coisa, veja a análise completa sobre isso em iFood: lucro ou prejuízo no delivery.

O custo real do delivery próprio para marmitaria

Montar entrega própria parece mais simples do que é. Os custos vêm de três fontes:

1. Motoboy

CLT (motoboy contratado):

  • Salário mínimo categoria (SP): R$ 2.200 a R$ 2.800/mês
  • INSS patronal (20%) + FGTS (8%) + férias + 13º + vale-transporte + vale-refeição
  • Custo total real: R$ 4.200 a R$ 5.400/mês por motoboy
  • Rende: 15 a 25 entregas/dia, raio de até 5km

App de entregador (Loggi, James, Uber Flash, Lalamove):

  • Por entrega: R$ 8 a R$ 18 dependendo da distância e app
  • Sem vínculo trabalhista
  • Disponibilidade variável — picos de demanda encarecem

Motoboy autônomo por fora:

  • R$ 180 a R$ 350/dia fixo ou R$ 7 a R$ 12 por entrega
  • Menor custo na teoria, maior risco operacional e trabalhista

2. App ou sistema de pedidos próprio

Para receber pedidos sem depender do iFood, você precisa de um canal:

  • WhatsApp Business (gratuito, manual, não escala bem acima de 80 pedidos/dia)
  • App próprio ou cardápio digital: R$ 200 a R$ 800/mês dependendo da plataforma
  • Taxa de processamento de pagamento: 1,5% a 3% por transação (Pix, cartão)

3. Operação e logística

  • Roteirização de entregas (manual ou software): tempo do operador
  • Embalagens para entrega (podem ser mais simples que as exigidas pelo iFood)
  • Atendimento a reclamações de atraso (sem o suporte do iFood)

Tabela comparativa: iFood vs. delivery próprio por volume de marmitas

Cálculo baseado em marmita de R$ 22, raio de 5km, cidade de médio-grande porte:

Volume diárioCanalCusto por entregaCusto mensal totalReceita líquida por marmita
100 marmitasiFood Básico (12%)R$ 2,64R$ 7.920R$ 19,36
100 marmitasiFood Entregue (27%)R$ 5,94 + motoboy iFoodR$ 17.820R$ 16,06
100 marmitasDelivery próprio (motoboy CLT)R$ 1,73 (amortizado)R$ 5.190R$ 20,27
320 marmitasiFood Básico (12%)R$ 2,64R$ 25.344R$ 19,36
320 marmitasiFood Entregue (27%)R$ 5,94R$ 57.024R$ 16,06
320 marmitasDelivery próprio (2 motoboys CLT)R$ 1,12 (amortizado)R$ 10.752R$ 20,88

Conclusão da tabela: para volumes acima de 150-200 marmitas/dia com raio de entrega compacto, o delivery próprio começa a ganhar do iFood Básico. Abaixo disso, o custo de estrutura do delivery próprio supera a comissão.

A estratégia híbrida que Márcia usa (e que faz sentido para a maioria)

O iFood não é inimigo — é canal de aquisição. O delivery próprio não é alternativa — é canal de fidelização. Usados juntos, com lógica, os dois se complementam.

Como funciona na prática:

  1. iFood para novos clientes: o iFood tem audiência. Novos clientes descobrem a marmitaria pelo app. A margem é menor, mas o custo de aquisição é zero — você não gasta com marketing para encontrar esse cliente.

  2. Delivery próprio para cliente recorrente: quando o cliente pede pela terceira vez, é sinal de que gostou. Aí faz sentido oferecer o canal direto: "Peça pelo WhatsApp e pague R$ 2 menos na taxa de entrega." O cliente economiza, você economiza mais ainda.

  3. Escalonamento gradual: começa 100% no iFood. Quando o volume no delivery próprio ultrapassar 80-100 pedidos/dia (com recorrência), aí vale contratar o primeiro motoboy CLT. Antes disso, app de entregador sob demanda.

Para entender se o seu delivery atual está dando lucro real, calcule a margem por canal. Isso faz parte do controle de CMV — veja mais em Como calcular o CMV do restaurante e Margem da marmitaria: qual marmita dá lucro.

5 erros que custam caro na operação de delivery da marmitaria

1. Calcular só a comissão e ignorar o desconto obrigatório nas campanhas O iFood pressiona restaurantes a participar de promoções (desconto de 10%, frete grátis patrocinado). Quem não participa perde visibilidade. Quem participa reduz ainda mais a margem. Esse custo precisa entrar no cálculo.

2. Não separar o fluxo de caixa do iFood do delivery próprio O iFood paga em D+15 a D+30 dependendo do plano. O delivery próprio recebe na hora (PIX) ou em D+1 (cartão). Misturar os dois fluxos esconde qual canal está pressionando o caixa.

3. Contratar motoboy CLT antes de ter volume suficiente Motoboy CLT tem custo fixo alto. Se o volume de pedidos oscilar, você paga o motoboy mesmo nos dias fracos. Só vale contratar quando o volume médio for consistente — acima de 80-100 pedidos/dia no delivery próprio.

4. Usar WhatsApp sem nenhum sistema de controle WhatsApp escala até certo ponto. Acima de 80-100 pedidos/dia, sem sistema de registro, erros de pedido, atrasos e retrabalho corroem a margem e a reputação.

5. Não calcular o custo da embalagem A embalagem do delivery (marmita com tampa, sacola, talheres) custa entre R$ 1,20 e R$ 2,50 por pedido. No volume de Márcia (320/dia), são R$ 384 a R$ 800 por dia — R$ 11.520 a R$ 24.000 por mês. É um custo que some no meio dos fornecedores se não for monitorado.

Como a Tamy ajuda Márcia a controlar os dois canais

A Tamy separa automaticamente as receitas do iFood das receitas do delivery próprio e calcula a margem real por canal todo dia. Quando a margem do iFood cai abaixo do esperado — por conta de campanha, cancelamento ou aumento de embalagem — a Tamy avisa: "Márcia, sua margem no iFood caiu 4 pontos esse mês. O desconto da campanha de terça foi o maior fator. Quer ver o comparativo com o delivery próprio?"

Sem planilha. Sem conta manual. A Tamy calcula e avisa — para você decidir qual canal priorizar.

"Eu achava que o iFood estava me sustentando. Quando a Tamy separou os canais, descobri que meu delivery próprio tinha margem de 38% e o iFood estava em 19%. Mudei a estratégia, investi em fidelizar os clientes diretos e o lucro subiu sem precisar vender mais." — Márcia O., Marmitaria, São Paulo


Fontes:


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